sábado, 12 de novembro de 2011

Poema Preto & Branco



ஜॐ♥ C ♥ॐஜ

O gosto doce e ácido da pele
Escorrendo em gotas macias
Pela ponta da língua e cerne
Sobejo de juízo sem guia

Ébrio, perdido na doce essência
Esquecido na loucura do tênue fio
Que separa o agridoce e ladino
Sabor profano e divino

Agarrado ao viço da luxuria
Distingue apenas o acre sabor
Já não percebe nem luz nem cor
Só gemidos, sussurros, bramidos

Loucura, embriaguez, desvario
Bebendo do vinho, direto na fruta
Com gosto de uva madura
Sugando cada gota de arrepio

 E assim, em preto & branco, 
Sem colorido ou alinho
Adornados apenas de desejo
Bebe-se o prazer aos pouquinhos.



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

QUERÊNCIA


ஜॐ♥ C ♥ॐஜ

Essa querência de você
Que corrói o peito
Que consome a mente
Que devassa a alma

Essa cobiça por sua carne
Cerne e seiva manancial
Submergindo meus pensamentos
Umedecendo meus sussurros

Essa vontade de degustar
Aos bocadinhos, lentamente,
Alimentando devagarzinho
Esse desejo de possuí-lo

Essa urgência de amá-lo
Com suas mãos nas minhas mãos
Apontando estrelas perdidas
Num vasto céu de seda sem fim


Imagem do Blog 'Conversations With The Muse' - Demetra on century old paper

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Debaixo dos lençóis...

ஜॐ♥ C ♥ॐஜ


Dia cheio. Reuniões que começavam e acabavam e uma vontade de louca de que o dia logo terminasse.
Um belo dia de aniversário. Tomara café na rua. Almoçara em uma restaurante perto do escritório e o jantar seria no hotel, possivelmente. "Belo dia de aniversário".
Viajara dias antes. Negócios. Quem teria tempo pra festejar? Mas, fazendo justiça, já não se comemora a velhice depois dos 40.
Estava acostumado a passar os aniversários em casa, com a família, nem que fosse à noite. Novas funções, novas responsabilidades, viagens... já era o que era "antes".
Olhou-se no espelho do banheiro do escritório. Até não estava tão mal assim... Cansado. Estava longe da sua cidade, da sua casa. Era normal sentir-se cansado. Mas certamente merecia um dia melhorzinho no aniversário. Nem que fosse uma noite mais agradável. Riu das esperaças infantis. Se fora criança, quem sabe um dia de super-herói... Mas na sua idade as aventuras são outras... Bem outras! Riu novamente.
Enfim terminou o dia. Ligar pra casa, agradecer as mensagens e dizer da saudade. Jantar num restaurante agradável... mesmo sozinho, é ainda um aniversário. Fazer-se um mimo. Planos!
Foi para o hotel. Banho. Um amigo tinha lhe dado a indicação de um restaurante legal, ali por perto. Era um lugar agradável.
Não era tão longe. Foi para o bar, esperava uma mesa. Enquanto estava perdido entre seus pensamentos e um copo de whisky um perfume suave tomou conta da sua narina e da sua mente.
Um perfume agradável, Não era forte. Aliás, era de uma suavidade inebriante. Acompanhou a fragrância instintivamente e deparou-se com uma mulher que passava exatamente naquele instante às suas costas.
Na virada brusca o choque. Nem notara que estava com o copo na mão. Um desastre. Whisky misturado ao vinho que a moça morena carregava. Camisas molhadas... A sua própria e a da moça que agora, diante dele, encarava o resultado do encontrão com um misto de olhos arregalados de um riso bobo de surpresa.
"Ótima forma de terminar um dia de aniversário desastroso", disse ela de si para si mesma sem se aperceber ainda da presença dele.
Agora ele abriu o olhos diante da frase. Como ela sabia ser o seu aniversário?
"Desculpe? Não foi intencional", ele tentou.
"Sem problemas, o dia não foi lá grande coisa. A noite não seria diferente."
"Eu que o diga! Afinal o aniversário é meu."
Olhos surpresos. "Tá brincando?", ela emendou. "Dois aniversariantes desastrados e com um dia daqueles? Isso sim é coincidência digna de comemoração." Risos de ambos.
"Posso ao menos tentar compensar o desastre que causei com outra taça de vinho?"
Ela aceitou. Apresentaram-se informalmente enquanto ela sentava-se ao seu lado no bar.
Falaram um pouco daquela coincidência enquanto esperavam a bebida de ambos.
"E aí", ela começou, "Dia de aniversário ruim? Brigou com o chefe ou com a "chefa"? Risos de ambos.
"Longe de casa... Viagem de trabalho, reuniões chatas o dia todos. Essas coisas".
"É, não é tão agradável como quando se está em casa."
"E você? O namorado esqueceu das flores?" Riso bobo, de quem queria mais uma informação subliminar do que a que foi realmente perguntada.
"Na verdade, uma debandada geral." Ela respondeu sem olhar diretamente pra ele. "Aniversário no meio da semana dá nisso". E então, olhando pra ele, completa: "Família em outra cidade, Namorado viajando e amigos trabalhando. Muitos torpedos, alguns e-mails e uma noite de jantar pra uma só!" ela riu sem graça, como se admitir o estar sozinha fosse algo constrangedor.
"Pois é... Ao menos você tá em casa."
Ambos riram da autopiedade infantil dele.
"Poderíamos aproveitar a "fatalidade" e jantarmos juntos, que tal"?
Ela pareceu um pouco sem graça. Eram completos estranhos... mas o destino os uniu no dia do aniversário. "Porque não?! Já aconteceu mesmo de tudo hoje.", respondeu com um sorriso meio sem graça.
Na mesa, pediram, conversaram, riram. A situação era estranha, coisa de filme, mas não podiam pensar que era uma bóia salva-vidas para um dia que deveria ser especial para ambos.
Enquanto conversavam ele não conseguia parar de pensar em como ela era interessante. Era uma mulher bonita, nada de extraordinário. Calça jeans, camiseta branca - agora manchada de vinho/whisky, cabelos castanhos soltos, mas que deixavam ver seu rosto moreno, olhos vivos, boca marcada por um batom rosado. Tudo isso acompanhado por aquele perfume maravilhosamente suave que de vez em quando o deixava num instantâneo transe. Ela era "desejável", sim, talvez a palavra fosse "desejável". Cruzaram o olhar. Alguns segundos. Um riso meio cúmplice. Uma falta do que dizer. Uma situação estranha.
Ela pediu licença e levantou-se para ir ao toalete e enquanto ela caminhava ela não se acanhou e não privou-se de olhá-la, sutilmente, enquanto ela caminhava. Ela tinha um rebolado delicado que faziam a calça jeans preta dançar delicadamente junto com seu corpo e mostrava curvas suaves. Nada de mais, nenhuma Top. Um corpo de mulher... de mulher de verdade. Riu de si para si mesmo. Talvez fosse coisa da idade... ficando mais velho e mais bobo. Onde já se viu ficar olhando pra uma desconhecida. Mas que era uma tentação, era.
Ela voltou, sentou e num ímpeto pegou-o olhando para ela. Baixou o olhar, mas com um sorriso muito maroto de quem pega uma criança num 'mal-feito'. Ele ficou extremamente sem graça. O que a moça iria pensar. Que infantilidade. Riu.
A partir daí encontravam os olhares sempre fugidios. As mãos pareciam não ter lugar, algo estava acontecendo. Aquele perfume mexera em algo nele e os olhos dele pareciam transmitir algum tipo de mensagem imperceptível aos demais mas que era captados por ela.
Conversaram ainda mais um pouco e finalmente o relógio pareceu chamar a atenção de ambos. Uma pena. Nenhum dos dois queria sair dali, já que aquele jantar tinha sido a redenção de seu dia de aniversário.
Concordaram que era hora de ir. Ela comentou algo sobre pegar um taxi e ele de imediato ofereceu carona. Ela estagnou por um momento, como se ponderasse sobre aquela situação toda. Sobre o que significaria aquilo tudo. Decidiu-se por aceitar.
Fizeram o percurso até o carro em um silêncio que parecia conter partículas imensas de suposições, vontades, incertezas, medo... Mas principalmente, uma centelha de desafio. A surpresa, o momento, a noite inteira fora uma surpresa inusitada. E será que terminaria ali?
Durante o caminho ela foi explicando a ele o caminho e questionando se ele saberia voltar. Embora ela não morasse tão distante assim, ele não era da cidade. E à medida que iam, parecia que não queriam ir. Um momento. Um semáforo... Apenas segundos. Olhos nos olhos. "Ah! Dane-se!", parece que pensaram os dois simultaneamente.
"Me leva pro seu hotel?", ela perguntou de uma vez, sem parar pra pensar.
Ele nem respondeu... Olhou-a como se ela tivesse lido seus pensamentos e procurou o retorno mais próximo. Haviam decido antes mesmo de pegarem o carro, sabiam disso.
Era estranho. Era loucura. Era a coisa mais arriscada que ambos já tinham feito até ali... Estava sendo.
Ele estacionou o carro, e como quem precisa ter certeza que aquilo era mesmo real, puxou-a para mais perto alcançando-lhe a boca. Beijo-a com vigor. Não sabia ao certo o que fazer, mas queria. O perfume dela parecia mais presente, mais hipnotizante. Ela foi recíproca no beijo. E ficaram ali um pouco de tempo. Olharam-se. Estavam certos que queriam fazer isso. Subiram para o apartamento.
Ele fechou a porta atrás de si, e desejou esquecer tudo o que havia do lado de fora daquele quarto. Não queria lembrar de nada nem de ninguém nesse momento, a não ser deslumbrar a mulher que estava diante de si. Junto com a porta, fechou a todos do lado de fora... os medos, as frustrações do dia, os pesos da idade. Agora queria viver o seu momento.
Ela trazia nos olhos a excitação do momento e um tremor que arrepiava a pele. Ele a tocou com cuidado. Ele queria ser cuidadoso, queria prová-la... Queria abri-la como a um presente. Seu presente. Pensou na ironia, um era o presente do outro. Mereciam uma ótima festa de aniversário... A melhor!
Deitou-a delicadamente na cama. Beijou-lhe a boca. Tocou seu rosto. Sugou-lhe a língua lenta e vigorosamente. Era um desejo crescente. Rolaram na cama, conhecendo-se vagarosamente... e a penumbra da luz os envolveu, juntamente com os lençóis macios, que eles sentiam enquanto ele a despia...
E Ele a despiu com uma mistura de delicadeza e fome. O único pensamento que lhe habitava agora era aquele desejo maciço de tê-la. Fazê-la sua e senti-la por inteiro.
Tocou-lhe os olhos, a boca... Fazendo pequenos círculos com os dedos. Segurou-lhes os seios e sugo-lhes o perfume. Sim, o perfume que iniciara essa louca aventura. Sentia mamilos intumescidos em suas mãos... Apertava-os mais. Um misto de desejo e uma vontade louca de ouvir aquela doce mulher gemer. Estava ficando inundado de um desejo intenso e a cada vez que o corpo dela se contorcia, a cada gemido a cada novo toque ele descobria uma nova forma de fazê-la gemer e isso o excitava. Queria desvendar aquela mulher. Sugou seus seios e deixou seu próprio corpo roçar no dela. Beijou-lhe o ventre, segurou seu sexo com as duas mãos, como quem descobre um pequeno tesouro. Sim, era o que ele queria. Aquele pequeno prazer de tocá-la intimamente. Buscou-lhe então a boca e beijo-a. Seus dedos desceram até a sua vagina e penetraram. Sentiu-a gemer e estremecer. Não largou-a. Sugou-lhe a língua e repetia os movimentos com os dedos sentindo o quanto ela gostava e contorcia-se.
Isso lhe dava mais prazer. Fez isso até senti-la louca, gostosa, cheia de um tesão que lhe deixava louco. Pois como homem nada poderia lhe dar mais prazer que a loucura e o tesão da sua mulher... sim sua. Naquele momento inteiramente sua. Sentia ela transformar-se... Sentia surgir uma mulher decidida a ter todo o prazer naquela noite.
Ele a deixou relaxar num beijo, mas ela não se cansara... não queria parar e também queria que ele tivesse a real certeza que eram um presente um para o outro.
Ela sentou-se em seu colo, encaixando-se nele, sem no entando deixar que ele a penetrasse. Ali, no meio da cama deixou seu pênis roçar-lhe o clitóres e em movimentos lentos tomou-o em sua mão e começou a masturbá-lo em movimentos firmes e constantes. Apertava-o entre sua mão e seu sexo. Sentia o quanto aquilo o excitava-o e excitava a ela também, de uma forma indescritível. O roçar da pele, dos pelos. A voz dele dizendo o quanto seu grelinho era gostoso, a sua respiração descompassada. Fechou os olhos e deixou-se levar pelo movimento. Sentia-o respirar ofegante e nenhum dos dois queria sair daquela dança eroticamente deliciosa.
Ela parou e olhou-o de uma forma que ele não sabia descrever entre o "tarada" e "safada". Ela arrumou-se na cama e desceu lentamente o rosto até encostar a boca no seu pau. Não havia mais pudores. O tesão daquele momento se apoderara de tudo. Ela chupou-o até senti-lo gemer. Dando mordidas em torno do seu pau, lambendo e tornando a fazê-lo gemer em cada mordida. Ele aproveitou aquela posição que ela estava e voltou a masturbá-la, agora segura seu grelinho com os dedos. Apertava-o só pra senti-la chupar mais intensamente. Ele sentia-se um puto... erótico... safado. Entraram num transe erótico intenso. Ele a sentia completamente úmida em sua mão e ela sentia-o pulsar na sua boca. E quando ele estava prestes a não suportar mais a vontade de gozar e encher a sua boca de sua porra, ela parou. Ele a xingou, puxou pelos cabelos, transtornado de um prazer crescente. Ela riu com aquele sorriso safado, o mesmo do restaurante. Agora ela era a menina travessa.
De quatro, engatinhando pra ele, ela sussurrou bem lentamente a pergunta mais excitante pra ele: "O que mais você quer?".
Ele não resistiu e xingou-a. Pegou-a pelos cabelos e deitou-a na cama. Abriu as pernas daquela mulher que mais merecia ser chamada de "putinha" e outros nomes feios e deliciosos. E com aquele ímpeto a chupou. Lambia e sugava o seu mel. Beijava e a fodia com a língua. Meteu, chupou, sugou, lambeu. Deu pequenas mordinhas no grelo, tudo o que faziam aquela mulher gemer e gritar. Prendeu-a com suas mãos. forçava sua pernas a abrirem-se mais. Não era mais o homem gentil do jantar. Havia agora um bicho... guloso e louco. Ele a sentiu gozando dentro da sua boca e isso o encheou de prazer. Um prazer tão bom quando o de uma gozada.
Pôs-se por sobre o corpo daquela mulher em agonia de gozo e penetrou-a até sentir que não havia mais pra onde ir. Sentia as unhas dela marca-lhe as costas. Não se importava, queria invadi-la e o fez. Beijou a sua boca e abafou os gritos de gozo. Socou todo o seu pau naquela bucetinha tenra. Senti-se fora de si. Mordia o pescoço dela, enquanto estava num balanço sensual e erótico do coito. Os dentes dela o marcavam, mas ele já não sentia. Tinha que fazer força pra não gozar... não ia parar ali.
Chegou a boca ao seu ouvido e sussurrou o que aquela mulher em deliciosa agonia parecia esperar. "Você vai ficar de quatro pra mim, sua puta... agora. Vou fuder você até não aguentar mais."
Ela já não raciocinava na loucura desse momento, mas estava entregue, pronta para qualquer coisa.
Ele a pôs de quatro, como prometera. Deu palmadas que a fizeram gemer. Ele deslumbrava sua arte. a pele avermelhada daquela bundinha que se oferecia pra ele. Segurou-a com uma força moderada e fez-se sentir dentro dela. Havia uma mistura de suor, gozo e loucura. Ali, como animais no cio, ambos esqueciam seja lá o que fosse e tornavam-se bichos sedentos de gozo. Ele segurava-lhe os peitos... tocava sua buceta, masturbava o seu grelo e metia, cada vez mais forte, cada vez mais fundo. Ele estava determinado a sentir toda a profundidade daquela buceta. E assim, entre gemidos loucos e gritos de prazer gozaram. Ambos. Uma fração de segundo em que o mundo parou de girar, até de existir. Uma pequena morte, liquefeita e intensa. Gozaram e gozaram e gozaram.
Até cairem sobre a cama, exaustos.
Ele a puxou de volta para si. Beijou-lhe a boca e sugou o perfume do seu hálito, do seu corpo. Agora não era mais o perfume suave que sentira. Agora era uma mistura de cio, suor e pele... e gozo. Porra espalhada por eles. Seu cheiro misturado ao dela, a sua doce quase estranha que liberara dele o animal mais louco por sexo que ele já conhecera... ou desconhecera.
Deitaram-se... O dia já raiava por trás das cortinas e das janelas. Sentiam-se sem forças. Deixaram-se ficar. Dormiram.
Ao acordar ele ainda sentia o gosto dela na boca. Seus dedos tinham o mesmo aroma do seu sexo. Seu próprio sexo trazia as marcas de tanta intensidade naquelas horas loucas. Só não havia sinal dela. Da sua doce quase desconhecida aventura.
O lugar vazio, em meio a desarrumação do todo o movimento da madrugada de prazer.
Um bilhete, apenas um bilhete depunha a favor dos seus sentidos: "Você foi o meu melhor presente de aniversário. Um beijo."
Ele não estava louco. Fizera mesmo tudo aquilo. Sentia-se cansado, deliciosamente cansado. O que ela fizera? Saira cedinho e ele nem tinha conseguido acordar? Pedira um taxi? é certo que sim. Fora-se.
Sem um telefone, sem um sobrenome... só ficara pra trás a lembrança daquele perfume, o sabor daquela mulher e as marcas no seu corpo...
Agora era acordar e lembrar... finalmente não fora um aniversário tão ruim... na verdade, ela também fora o seu melhor presente de aniversário!
Um presente a um doce Marquês... meu doce Marquês!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Luxúria

ஜॐ♥ C ♥ॐஜ



Tácitamente olha
Silencioso desejo
Aproximação tranquila
E venturoso ensejo

Sem alardes
Sem festejos
Sem bróqueis
Sem lampejos

Aproximação de corpos
Sinestesia de almas
Simetria de anseio
Mútuo cortejo

Na propícia oportunidade
O suor é o lacre perfeito
Do encaixe ocasional
Do íntimo e distante beijo

Depois o adeus
a saída sem saudade
Sem lembrança, sem apego
Apenas... Desejo!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Esfinge

ஜॐ♥ C ♥ॐஜ


domingo, 23 de agosto de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DESEJO



ஜॐ♥ C ♥ॐஜ



Ouço muito mais que os ouvidos podem ouvir. E assim ouço seus passos chegando de mansinho.

Vejo bem mais que os olhos podem ver. E então vejo você me olhando e sorrindo... De cara safada e olhar maroto. Não diz nada... Somente sorri e no seu sorriso diz tudo. Vejo e sinto o seu querer.

Sinto sua mão que me toca de levinho. E aos poucos percorre meu corpo. E nas pontas dos seus dedos sinto meu corpo arrepiar. E sinto seu desejo mais intenso no calor da sua boca. Um beijo, uma carícia, um olhar, morder o lábio... Desejo

Brincadeira de mãos entrelaçadas, olhar fugidio que procura um outro alvo pro carinho safado, tateando cada pedacinho.

Boca, pescoço, ombros... Mordidinhas leves. Colo, seios... Seu olhar no meu... uma vontade da sua boca nos meus seios, brincando como em montes. Você lê meus pensamentos, e devagar, alterna beijos, lambidas, mordiscadas. Vejo você se perder neles, como se tudo sumisse e permanecesse só sua boca e meus seios. Sugando cada vez mais, cada vez mais forte, mais desejoso, mais e mais.

De repente, volta, como acordando de um transe, e me beijas a boca, com ânsia e desejo, paixão e vontade, como se no beijo me sugasse para dentro de si mesmo. Sinto suas mãos me percorrendo o corpo, não mais com delicadeza, mas com um desejo latente. Sua boca no meu ventre, seus dedos no meu sexo.

Brincando de fazer círculos enquanto beija minha barriga, morde devagar... Seus dedos passeando nas minhas virilhas, sentindo o meu tremor a sua presença ali tão perto. Sabendo qual é objeto do seu desejo.

Sinto sua língua percorrer ávida em direção ao púbis, e entre beijos e lambidas sinto sua vontade aumentar. Sinto na ponta da sua língua, na sua sede, na sua respiração ofegante que transparece seu desejo. E entre meus gemidos de tesão, sinto sua boca assegurar-se que não sairei dali, porque chupa com vontade o meu corpo, e a sua boca suga todo tesão que tens.

Sinto suas mãos me pegando pelos quadris e me levantando, me erguendo e me deixando cada vez mais aberta como prato principal da sua degustação. Enlouqueço na sua boca que chupa e mama. Lambe e enlouquece num transe de loucura e tesão.

Eu, gemendo sem parar, pedindo cada vez mais de você, do seu tesão de homem insaciável. Sinto sua língua louca beijar a boca da meu sexo. Uum beijo de língua incontrolável, me chupando e penetrando a língua com vontade, parecendo que jamais findará tamanho tesão.

Não agüento... e me derreto em gozo, na sua boca, entre gritos e delírios. Um êxtase intenso que só sua boca me dá. Gozo. Louca e cadela como só você sabe me fazer sentir. Inundo sua boca e sinto você como um cachorrinho que lambe o meu gozo e sente-se feliz em saber que causa tanto prazer.

Vejo seu sorriso safado vindo ao meu encontro, todo lambuzado do meu gozo e me beija a boca, deixando na minha língua o próprio gosto do meu gozo que você guardou na sua língua. Deixo minha língua na sua sugando e o querendo mais. E nesse beijo, sinto você me penetrar, faminto de mim. E sem largar a minha boca vai mais profundamente, sentindo-me por dentro, desbravando meu corpo. Você rijo, firme, cada vez mais fundo e mais forte até me fazer gemer na sua boca enquanto chupa a língua.

Sinto-me flutuar, num prazer intenso. Abro-me, desvendo-me e me entrego ainda mais. Ouço com prazer sua voz gostosa que me diz: “Quer mais puta? Quer mais do seu macho que adora comer você? Então geme mais e mais eu dou” Não resisto, não me controlo, só gemo e grito no ápice do meu tesão.

Sinto seu peso todo no meu corpo, entrando mais fundo, mais forte, já não consigo segurar o gozo, já não consigo mais pensar, só sinto a intensidade do seu desejo sem fim. E gozo, entre gritos loucos e espasmos de prazer.

Mas nem isso te satisfaz. Você me deixa gozar, e ri, e entre palavras chulas e xingamentos, você me põe de quatro, me segura pela cintura. Eu não sou mais dona de mim. Meu corpo já não me responde, só sente o seu corpo, suas mãos, sua língua que não perde nem uma gota do meu gozo que escorre.

E assim de quatro, sinto seu corpo se projetando por sobre o meu e enquanto sussurras todas as obscenidades que eu adoro ouvir da sua boca, sinto seu órgão maior que nunca, socar-se em mim, como se tivesse vida própria e muita fome de mim.

Socando cada vez mais, sem piedade, como quem cruza. Amor animal. Com fome de gozo e louco de tesão. Sinto seu hálito quente que chupa meu pescoço, e suas mãos que apertam meus seios. Sinto-as escorrerem pra minha cintura e me puxar cada vez mais pra perto de si, indo mais fundo, como se procurasse o infinito. E nesse cavalgar louco e sem limites sinto meu gozo mais uma vez chegar, já sem forças, já sem tino, entre gritos e gemido, xingando-o feito louca, sinto seu corpo estremecendo no meu e sinto você jorrar em mim, me inundando de prazer... quente, viscoso e delicioso que se mistura ao meu gozo e escorre e lambuza, sem deixar você sair de dentro de mim.

E assim, ficamos em êxtase. Caímos na cama, exaustos desse louco momento íntimo sem querer que essa sensação deliciosa acabe, prolongando-a cada vez mais.

E você ainda encontra forças pra deixar sua mão cair sobre meu sexo... brinca comigo, toca, mexe, faz-me estremecer na sua mão e me faz gozar assim... novamente, e sorri, e beija e lembra como me deseja e em como é feliz em me dar tanto prazer.

Finalmente nos deixamos cair ali, um do lado do outro... procurando olhos e boca. Trocando carinhos e beijinhos, entre palavras chulas de tesão, renomeado em termos torpes sentimentos nobres. Sentindo em tesão todo o calor do amor... animal e forte.

Sabendo que é assim também que o sentimento se alimenta, das horas de pura loucura que nos faz desejar cada vez mais estar com o outro.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Parte V - Jardim de Delícias




ஜॐ♥ C ♥ॐஜ



A felicidade por já estarem sozinhos deu lugar ao desejo explosivo. O beijo que começara no elevador se prolongava, intercalando-se com pequenas mordidas que só aumentavam o desejo nos dois. Enfim a porta aberta foi quase que completamente ignorada e fechada logo atrás dos amantes serviu apenas de apoio. Malas e bolsas jogadas. Tinham agora o necessário para àquele tesão tão intenso e desesperado, o corpo um do outro. Ali mesmo, em pé, amparados pela porta fechada, fechavam não só o quarto, mas fechavam-se agora num mundo pertencente só aos dois.

O beijo era de corpo inteiro. Língua, mãos e coxas roçando. Ele a manteve ali, de costas na porta, enquanto degustava cada pedaço seu. Beijou-lhe os olhos, mordeu-lhe a orelha, bem de leve. Gostava da sensação que isso causava nela... O arrepio no pescoço, os pelos da nuca eriçados, e a fome de ser amada que visivelmente aumentava nela.

Beijou lentamente o pescoço daquela mulher, como quem fazia uma oração silenciosa, roçando seus lábios nos pelos eriçados e balbuciando pequenos gracejos e elogios que eram mais para ele mesmo do que para ela ouvir, de tão sussurrados que era.

Sua boca faminta da pele dela descia lentamente por seus ombros, fazendo a blusa cair lentamente, abrindo caminho pra sua língua quente. Parou com cuidado nos seios. Delicados e fartos, dentro daquele sutiã clarinho. Brincou com eles por cima do tecido macio do lingerie, sentiu o eriçar dos mamilos. Sabia que ela queria tudo aquilo tanto quanto ele. Beijou cada um, como quem beija duas crianças inocentes, mas a excitação que esse ato causava não era nada inocente, muito menos o tesão crescente de ambos.

Continuou a sua jornada, conhecendo-a com a ponta da língua. Retirou o sutiã e demorou-se um pouco mais, sugando a essência dos mamilos intumescidos, lambendo-lhes as formas, segurando-os com firmeza e fitando os olhos da sua mulher. Sim, sua! Sentia-lhe sua, literalmente em suas mãos. Deixou as mãos brincarem livremente pelo corpo dela enquanto retomava um beijo suculento e molhado. Passou a beijar-lhe o corpo, a barriga, o baixo ventre. Sentiu-a estremecer com a aproximação da sua boca sedenta, o calor da sua língua. Desabotoou a calça jeans dela lentamente... Desceu vagarosamente acompanhando o caminho que o jeans ia abrindo a sua boca, descendo pelas virilhas, descobrindo-lhe as coxas. Ela tremia a cada beijo mais forte, a cada lambida mais vigorosa. Queria-a assim, inundada de desejos. Mas queria mais, queria-a lasciva, louca, completamente rendida.

Ajoelhou-se. Ele queria muito estar ali. Sentiu o perfume que a calcinha dela exalava. Beijinhos delicados, que iam dando espaço para dedos maliciosos que passeavam despretensiosamente pelas bordas da calcinha, e entravam vagarosamente e passeavam pelos pelinhos do púbis daquela mulher, agora já cheia de tesão liquefeito, e isso ele sentiu ao deixar seus dedos procurarem a entrada daquele delicioso local de delícias.

Abriu cuidadosamente os lábios da bucetinha molhada e contraída. Como era prazeroso a ele tocá-la. Sentia-se um homem poderoso, tinha a sua mulher desejada e querida na ponta de seus dedos. Queria sentir cada parte sua, cada centímetro do seu corpo delgado de fêmea. Afastou a calcinha com cuidado, delicada textura. Lambeu, sentiu o sabor, como um gourmet faria. E que iguaria ela aquela! Nada no mundo se compararia aquele sabor forte, aquele odor de desejo de fêmea. Era um mundo de delícias. Sorveu. Queria prolongar o momento em que sentiu o néctar do prazer daquela mulher tocando a sua língua. Desmedida vontade de chupá-la tomou conta dele. Beijou aquela buceta com uma fome que só os amantes possuem. Sentia-a estremecer, agora bem mais forte, a cada vez que ele metia sua língua, buscando ir mais fundo, buscando cada vez mais o seu gozo.

A essa altura ela não só gemia como sentia seu corpo implorar pra gozar. Aquele homem que tão suavemente soubera conquistá-la nas pequenas coisas, agora a possuía, a consumia e a fazia sentir a vida deixar seu corpo em forma de gozo.

Ele não se fartava, queria dar tudo a ela, sua língua, seu desejo sua fome de tesão e sexo. Sim! A essa altura o teor romântico dessa busca já dera lugar ao intenso e lascivo desejo por um sexo intenso. Ela o queria, queria tudo que dele viesse e não lembrava mais de nada, dos mimos ou conquistas, só queria render-se aquele homem intensamente faminto do seu gozo e da sua vontade.

Ele queria ter dela o poema líquido do seu prazer. Sugou-a como ninguém jamais o fizera... Chupou e sorveu mais que seu mel de prazer que escorria de sua bucetinha delicada e cheia de tesão, misturou sua fome ao gozo daquela mulher que tinha pasmos de prazer, e lhe lambuzava a língua, a boca, o rosto com seu gozo incontido e intenso. Ela sentia-se desvanecer, como se as suas pernas já não fossem o suficiente para sustentá-la. Deixou-se cair.

Ele a segurou, tomando-a nos braços. Beijando-lhe a boca. Era a primeira vez que seu gozo tinha um sabor tão delicioso, pensou ela. Na boca do seu homem que ela tanta desejara. Sim, despida de temores e pudores ela podia enfim entregar-se, despida além do corpo. Podia abri-lhe a alma.

Ele a levou pra cama. Delicadamente a cobriu de beijos e pequenas mordidas nos mamilos. Beijou-lhe o corpo, como quem adora uma santa. Venerou-lhe o sexo como quem entrega sua vida, enquanto tirava aquela calcinha macia e completamente molhada, um fino invólucro pra uma jóia tão gananciosamente desejada.

Não se cansava de desejar aquele corpo, por fora e por dentro. Ela queria beijá-lo, entregava-se a ele, nada temia. Ele a penetrou com um dedo. Ela abriu vagarosamente as pernas, queria senti-lo mais fundo. Ele introduziu mais um dedo. Deliciava-se olhando as suas reações de fêmea. Brincava entre o intenso e o suave. Gostava das variações que essa mudança de ritmo causava no rosto daquela mulher tão linda, tão sua naquele momento. Tão única.

Decidiu tocar seu grelinho e sentir que ele ficaria pronto para proporcionar mais prazer. Masturbou-a sem pudor. Observava a doce agonia que ela sentia em ter suas mãos brincando com suas intimidades.

Tinha vontade de abrir-se mais, caso pudesse. Um desejo lascivo e louco de abrir-se ainda mais para o seu homem, de senti-lo. Ele intensificou os movimentos, metia, tirava, esfregava o grelo e ela gemia. Ele não se conteve, xingou-a. Sentia-se louco com a agonia louca daquela mulher.

Agora metia com mais força, era visível e audível o tesão intenso de ambos. Ele a viu gozar intensamente, entre gritinhos e gemidos, xingamentos e tremores.

Agora ela estava pronta! Enquanto ela ainda gozava, ele deitou-se sobre ela. Tomou-lhe a boca e calou-a num grande, suculento e molhado beijo. Enquanto seu órgão, já mais que rijo, penetrava sua buceta com a força de um macho no cio. E era assim que ela o sentia, um macho possuindo sua fêmea.

Ele não ousava parar, queria ir mais fundo, queria abrir, socar, beijar a boca e quem sabe, romper-lhe a alma.

Conteve-se ao sentir que o gozo viria. Diminuiu a intensidade. Deixou-a mudar de posição. Tornou-se sua montaria. Não fazia idéia de como aquela mulher era bela naquele estado de transe. Cabelos soltos, em desalinho, seios balançando e guardados nas palmas de suas mãos, sentindo-a cavalgar o seu pau. Totalmente ligados, profundamente ligados. Ela feito uma amazona sedenta de gozo, subindo e descendo numa agonia de prazer intensa. Beijava-lhe a boca, sentia a ânsia dessa liberdade que habitava nela.

Aquele já era seu momento preferido. Sua poesia em forma de silhueta. A mulher desejada saciando-se de prazer e tesão sobre ele.

Ela debruçou-se sobre ele e chegou bem perto ao seu ouvido e contou-lhe da sua louca vontade de chupá-lo. Também queria dar-lhe provas que poderia lhe dar prazer sem igual. Em sua boca de fêmea, queria sentir o sabor do homem que desejava.

Ele deixou-se sorver. Sentia a boca quente daquela mulher tesuda e lindamente louca envolver mais que o seu sexo... Sentia-a invadir sua alma de homem. Sugar seu gozo, chupando-o como uma boa e doce vadia.

Ele deliciava-se em sua buceta. Jamais cansaria de lamber, chupar e morder a buceta quente e deliciosa daquela mulher.

Acordou-se faminto, como quem sai de um transe e mudou o tom do momento poético. Segurou-a firme, e abruptamente a pôs de quatro. Queria possuí-la por inteiro.

Aproveitou a posição deliciosa e lambeu-lhe a buceta aberta. Era uma pintura erótica, a mais bela e degustável imagem do seu desejo.

Movimentos de baixo pra cima, a língua aberta, para que todo o sabor daquele lugar de delícias ficasse guardado na memória gustativa... Não havia sabor melhor!

Ela xingava-o de tesão, contorcia-se. Ele a segurou pelos cabelos e domou-a. Ia penetrar-lhe mais que o corpo, queria possuí-la.

Enfiou primeiro seus dedos na bucetinha molhada, lambuzada e pingando. Masturbou-a, deixou-a sem ação e enquanto mais uma vez ela gozava na sua mão, ele enfiou seu pau vagarosamente na buceta, lubrificando-o, deixando-o brilhar.

Tirou-o sem pressa. Os dedos já melados enfiados no cuzinho dela, davam-lhe um prazer inigualável. Queria prolongar esse momento, olhar, deliciar-se.

Tomou posição de macho e sem ter pena enfiou seu pau no cu da sua mulher. Sim, agora inteiramente sua. Aquele era o céu que ansiava para aquele momento.

Ela não fugia, só gemia, gritava, chorava e rebolava. Sim, ela também queria. Sentiu-se invadir por seu homem. Sentiu-se possuir.

Ele a penetrava com loucura e ela gritava de prazer. Sentiram-se possuir-se mutuamente, queriam aquele prazer. Ele sentia-se louco, insanamente deliciado. De súbito tirou seu membro e penetrou-lhe a buceta com força e, em movimentos vigorosos, a fez gozar insanamente e com ela gozou em urros como quem morre. Entregou-se ao prazer... Esvaiu-se de si mesmo... Satisfez no corpo da mulher que tanto queria.

Deixaram-se ficar por muito tempo ali, deitados. Pernas entrelaçadas, degustando o sabor do momento, olhando-se e rindo do tamanho de toda aquela insana e deliciosa situação.

Banharam-se e mais uma vez amaram-se.

Agora ali estavam, vendo todo aquele mar a sua frente. Em ondas que lembravam seus movimentos de loucura e prazer. Não trocavam palavras naquele momento. Não havia necessidade. Só aquele sorriso safado e malicioso e aquele olhar cúmplice.

Como que despertando de um sono bom ele se aproxima dela, num daqueles abraços nos quais não se precisa dizer nada. E deixam-se ficar.

O desejo dos olhos os levara até ali, a conquista chegara a seu ápice... Mas o momento das palavras dera uma pausa, ao suave e doce momento do apenas sentir. Somente sentir!

sábado, 25 de abril de 2009

Parte IV - À Caminho de Shangri-lah


ஜॐ♥ C ♥ॐஜ

A semana foi um misto de ansiedade, desejos e vontades. Almoços, torpedos e uma sensação nova: Excitação latente.

Desde o beijo uma nova linha de diálogo abriu-se entre eles. Alem dos corpos, dos sorrisos, dos olhos, agora a linguagem do desejo intenso, dos pequenos gracejos sensuais, das conotações ardentes que só deixavam transparecer ainda mais a vontade que ambos tinham de possuírem-se.

A vontade dele era intensa, daquelas que enchem a mente de vontade lasciva. Ele sentia algo entre a o desejo irracional de macho e a vontade de ter aquela mulher perto, muito perto de si. A dela não era menos intensa. Foram dias de pequenas conversas cifradas, diálogos de olhos e de sensações... pensamentos deliciosamente impuros e partilhados sem palavras. Foram noites de planejamento, imagens criadas de olhos abertos, conversas ao telefone, que mais pareciam preliminares de um sonho erótico. Sentiam-se em êxtase, daquele que envolve os amantes no desejo de possuirem-se. Até o dia da viagem.

Entre a despedida na noite anterior e a manhã parecia que não existiram horas. Ela nem sabia ao certo se dormira ou se recostara-se na cama por um pequeno momento.

Ele a pegou em casa bem cedo. Descansou o suficiente para dirigir, mas dentro dele havia algo inquieto. Um homem feito, já acostumado a conquistas e a desejos, mesmo assim sentia aquele frisson de tocar intimamente naquela mulher pela primeira vez. Não tinha como ser diferente. As semanas se passaram e a vontade e o desejo haviam crescido imensuravelmente desde o dia que decidira ter aquela mulher pra si. O desejo era agora mais forte e intenso, mas ele já não era o mesmo. A conquista era um delicioso jogo, mas bem mais deliciosa era a certeza de que ela o queria. Era saber da recíproca, do desejo mútuo do tesão claro e forte. Isso o inquietava e ao mesmo tempo o tornava um homem feliz.

Foram de carro. Conversaram muito. Riram ainda mais. O silêncio os inquietava. Eles queriam mais. Eles queriam tudo. Nas duas horas de viagem partilharam um pouco mais de si. Falaram mais de suas histórias, de reminiscências, de suas viagens.

Até ali já se sentiam preparados para preencher os silêncios com beijos e carinhos. Com olhos sorridentes e lábios desejosos. Estavam felizes...

Haviam esperado com ânsia por aqueles momentos a sós. Longe do trabalho, dos colegas de escritório. De tudo que os reportava ao dia-a-dia de estresse e correia. Não que fosse ruim, pois era lá que se viam todos os dias. Mas queriam mesmo era esquecer o mundo, e ter momentos para lembrar só deles e do seu desejo.

Por vezes, no caminho, paravam um pouco para olhar a paisagem... esqueciam a pressa para lembrar que era o primeiro momento só deles, partilhado. Rechearam esses momentos com beijos quentes e toques incontidos, mas breves. Preferiam guardar tudo para o momento certo. Era um pensamento insano? Sim! E quem mais poderia se entender com tanto desejo aflorado?

Chegaram ao hotel perto do meio da manhã. Era um lugar aconchegante, de frente pro mar. Tudo tinha um ar tranquilo. Intranquilos e inquietos só mesmo eles dois. Parecia que o mundo se movia lentamente, ou tudo dentro deles batia rapidamente no compasso do desejo que já os inundava.

Registraram-se e ela percebeu o sorriso safado que envolveu o rosto dele quando perguntou a ela se ficariam em quartos separados. Ela teve um ímpeto de ser moleca e dizer que sim. Que não ia ficar na mesma cama que ele! Invés disso sorriu, sorriu e ele entendeu o quanto ela o queria perto aqueles dias.

Receberam a chave. Seguiram sozinhos pro elevador. Internamente ficaram felizes, pois era assim que queriam ficar, sozinhos.

No elevador, o beijo foi quente e não tinham a intenção de parar com a chegada do elevador ao quinto andar. Na verdade, não tinham intenção de parar mais nada. Queriam-se, desejavam-se. Era tão intenso que mal conseguiam abrir a porta do quarto. Ela olhava pros lados, num misto de medo de serem vistos e de ânsia que aquela porta abrisse logo.

...Continua



Parte III - Do sabor ao beijo



ஜॐ♥ C ♥ॐஜ


Era Sábado! O dia passara-se tranquilo. Com pequenos torpedos instigando-se mutuamente. A noite chegava com uma promessa de que eles iriam divertir-se e conhecer-se mutuamente fora do ambiente de trabalho.

Ele a encontrou mais leve que nos dias de trabalho. Sorridente, cabelos soltos, maquiagem mais casual. Usava jeans e uma blusa com um decote mais ousado. Isso mexia com sua libido de macho que já andava bem presente com aquela situação. Ela parecia mais solta também. Conversando tranquilamente, trocando sorrisos e olhares. Era algo ímpar! Até ali ela mantinha uma reserva que o deixava alucinado, uma barreira que ele não conseguia transpor, mesmo tendo a certeza que ambos queriam-se mutuamente.

Foram ao cinema, e à muito custo contiveram-se, mesmo no escuro, mesmo tão próximos, mesmo com tanta vontade. Permitiram-se um andar de mãos dadas. Pareciam colegiais, quem sabe. Os desejos e os pensamentos dele eram bem de adolescentes, hormônios, vontades e desejos de descoberta, não da sensação, mas dela! Os dela não eram tão diferentes, mas eram de mulher!

Jantaram e dessa vez, diferente das outras, ela tomou mais que suco. O ar do fim de semana, o sábado. Pediu um vinho. Ela parecia ainda mais linda, sensual e desejável. Solta, sorridente e totalmente provocante. Foi uma noite agradável. E pela primeira vez ele a via assim tão atraente, mais do que todas as vezes, ela era quase um pecado ao qual se deseja com loucura. A vontade que tinha era morder aquela boca que lhe sorria tão cretinamente linda.

Por um momento sentiu-se fora de si, olhando aquela mulher sorrindo sensualmente pra ele. Ela realmente mexia com algo nele. Não era mais só conquista e sedução. Não era só um jogo. Sabia que ela lhe daria a resposta ao convite da viagem, mas queria mesmo era possuí-la aquela noite mesmo, tão linda, tão fêmea.

Voltou a si! Jantaram, conversaram e beberam mais um pouco. Conversaram, olharam-se, desejaram-se. Não disseram nada. Não carecia dizer. Era hora de ir. A noite passara e não tocaram no assunto da viagem.

Ao deixá-la em casa, ela deteve-se uns minutos dentro do carro. Na verdade ela estava surpresa dele não ter tocado no assunto do convite, mas era hora de dizer algo. Sua cabeça estava leve demais, possivelmente pela falta de hábito da bebida, pelo momento, pela companhia. Começava a sentir um desejo maior por aquele homem.

Olhou pra ele e já que ele não tinha tocado mesmo no assunto, disse de chofre:

— Então, aonde vamos no final de semana?

Ele sorriu com os olhos, e como quem não quisesse deixar transparecer a ansiedade de quem esperara por aquela resposta a noite toda. Procurou responder calmamente que pensara em irem ao litoral. Ela concordou.

Ela agora se preparava para descer do carro quando sentiu a mão dele segurar-lhe o pulso e, de repente, envolvê-la num beijo. Não houve recusa, não teria porque haver. Ambos queriam demais e por muito tempo aquele beijo. Demorado e molhado. Sentido, desejado. Ficaram um tempo ali, degustando-se, provando-se, sugando a língua e sentindo um prazer delicioso naquele beijo. Sentiram-se próximos, muito mais que já haviam sentido-se até ali.

Ele a queria, naquele momento, mais que tudo. Sugou-lhe a língua, como queria tomar pra si sua fêmea alma. Ela entrou-se aos seus toques, desejos e força. Mas foi no beijo que pararam, voltando vagarosamente a sentir o mundo a sua volta.

Por fim, desvencilharam-se. Sorriram... despediram-se.

Ela seguiu vagarosamente para a entrada de casa. Ele só saiu dali quando não podia mais vê-la. Embora agora carregasse aquela mulher na sua memória olfativa... pelo cheiro bom daqueles cabelos e no gosto da sua doce saliva. Ele estava realmente feliz!


Continua...



Parte II - Sensações e Olhares



ஜॐ♥ C ♥ॐஜ


Daquele almoço em diante ele sempre achava uma maneira de surpreendê-la. Ela achava aqueles pequenos gestos muito excitantes. Um café, um almoço, um drink depois do expediente. Coisas de um conquistador? Sim! Mas em uma conquista paciente, diária, daquelas que fazem valer a pena levantar pela manhã, pensando no que vestir. Se o cabelo está bom, se o perfume está no ponto. Daquelas conquistas charmosas que tornam qualquer olhar, qualquer bilhete, qualquer desculpa para pegar na mão algo inexplicavelmente prazeroso.

Era, com certeza, um desejo mútuo crescente. Uma vontade partilhada de sentir-se atraído e desejado. Esse capricho contínuo de medir a capacidade do outro de se fazer perceber, querer, desejar.

O corte de cabelo dele, a saia um pouco mais curta dela, o bilhete com um horário para o café no meio da tarde, a blusa de seda sem o blazer, uma ligação despropositada para perguntar como estava sendo aquela manhã chata de chuva, o batom novo, impossível de não ser percebido ao conversarem mais de perto! Pequenos e grandes detalhes para os olhos de ambos. Um jogo? Quem sabe. Uma “disputa” de quem faz mais charme? Bem provável. Sedução? Com toda a certeza!

As semanas passavam apressadamente, pois ambos tinham uma pressa imensa que as noites chegassem ao fim, para que no outro dia recomeçasse aquela sedutora e agradável conquista. Já os fins de semana arrastavam-se, e ambos sentiam que o desejo pendia a tornar aquele jogo de charme um tanto mais sério.

Aquele fim de semana, em especial, tinha arrastado-se ainda mais. Ele viajara na sexta. Despediram-se com um telefonema. Na segunda-feira, ele atrasou-se um pouco. Trânsito terrível, contratempos. Não a viu. Era estranho, há semanas faziam aquele percurso juntos. Viagem cansativa, chegara cansado e ainda assim tentara ir no mesmo horário pro escritório. Não deu sorte. Foi pra sua sala com o propósito de ligar pra ela. Para sua surpresa encontrou um pequeno envelope deixado pela secretária sobre a sua mesa. Uma entrega de um boy ali mesmo do prédio. Seus olhos sorriam. Abriu-o e achou um bilhete breve: Pensei em você! E um número de celular.

Teve um ímpeto de ligar na mesma hora. Mas sabia que não faria aquilo. Não daquela forma. Se era pra medir forças, ao menos um pouco mais, esperaria. Não ligou. Pediu almoço e comeu no escritório mesmo. Sorria molecamente entre as garfadas. Pequenos sacrifícios para uma boa conquista. Ela impaciente. Ele momentaneamente vitorioso. No final da tarde a ligação.

O coração dela parecia que estava prestes a sair pela boca. Respirou... atendeu! A voz dele parecia um balsamo naquele dia atípico. Ele desculpou-se. O dia havia sido de intenso trabalho, não tivera tempo nem de sair pra almoçar. E pra que ela o pudesse perdoar, o convite pra jantar.

O primeiro desejo dela foi agradecer gentilmente e recusar. Quem sabe um outro compromisso, um outro convite. Aceitou. Mesmo sendo segunda. Foi um jantar tranqüilo. Riram, o que faziam com freqüência. Despediram-se.

Seguiu-se a rotina no dia seguinte, que inciara-se com um ‘bom dia’ como torpedo no celular dela, e um sorriso singular para os olhos dele. Conversinha animada de elevador na hora da saída. Despedidas sem muita vontade de ser despedida e um abrupto ‘tchau’ que frustrava o pedido seguinte dele de jantar ao lado dela.

Um sorrisinho formou-se nos lábios dela, que caminhava adiante dele e sentia os olhos dele acompanhando-a ainda meio atordoado. “Touchè”, pensou ela. E saiu rindo daquela situação.

Os dias seguiram animados... com batons, perfumes, bilhetes e cafés. Até que na sexta à tardinha veio o convite dele: E se aproveitassem o feriado prolongado da semana seguinte pra viajar?

Era ali que finalmente tudo se delineava. Mesmo assim ele percebeu surpresa nos olhos dela. Ambos sabiam o que isso queria dizer. Sabiam para onde aquela proposta os levava. Sabiam o tamanho do desejo que se encontrava implícito nesse convite. O ápice de toda aquela conquista contínua e mútua.

Um desfecho para aquela história? Ou seria um começo? A resposta ficou para depois que ela pensasse. Embora agora falassem diariamente, aquele seria o primeiro final de semana que manteriam contato. Resolveram ver-se no sábado. Um cinema? Um jantar? Qualquer desculpa. Queriam estar juntos.


...Continua



quinta-feira, 23 de abril de 2009

INEXISTENTES PALAVRAS

ஜॐ♥ C ♥ॐஜ

Estavam lá, olhando pela janela do quinto andar. Ela olhando o mar à sua frente, lá embaixo, inquieto, revolto. Enquanto ela permanecia ali, tranqüila, inundada de um prazer continuado. A boa sensação de sentir a brisa lhe tocando e os olhos dele lhe queimando a face. Ele permanecia lá, imóvel... olhando-a com um sorriso bobo de quem observa um troféu. Menino que ganhou no jogo de bolinhas de gude. Que mostrou ser capaz e merecedor da vitória. Não havia palavras. Só as sensações do momento. Ele a olhava e sorria. Ela sentia seus olhos e sorria. E no sorriso traduziam tudo o que havia se dado nas horas que se passaram logo ali, naquele quarto de hotel.

Ela lembrava-se daquele mesmo sorriso que lhe aquecia a nuca quando ela passava todos os dias pela manhã a caminho do elevador, seguindo para o escritório como costumeiramente fazia. Ele lhe chamara atenção desde a primeira vez. Mas cabia a ela fazer de conta que era só mais um dos muitos que trabalhavam ali, assim como ela.

Alto, magro, carismático. Não era mais uma criança, um homem feito... mais de quarenta talvez. Um charme. Devia olhar assim pra todas. E todas deviam encher-se de orgulho de si mesmas por serem vistas por ele. E ela seguia caminho pro seu cotidiano.

Ele encarava-a ali, naquela sacada, ainda evitando olhar pra ele, como fizera por tantos e tantos dias no escritório. Ele a via passar, enquanto parava pra uma palavrinha com algum conhecido, antes de subir para o seu escritório. Era pequena, graciosa, dona de olhos fortes e de um olhar provocante... firme. Lembra de ela ter olhado bem dentro dos seus olhos, e numa fração de segundos, fazer de conta q ele não estava lá. Seguiu-a com os olhos, acompanhando o rebolar manso daquele corpo minhon e um desejo repentino lhe invadiu a alma. Mas riu-se de si mesmo e seguiu para seus cuidados do dia.

Nos dias que se seguiram ele notou-se inquieto, sim... Esperava a passagem dela. E no outro dia e no outro também. Viu-se chegando cedo pra não ter perigo de perder a ‘passagem’ dela. Aquela inquietação tomava conta dele. Um homem feito, com ímpetos adolescentes? Desejo que conquista? É, ele era um conquistador e ela era uma nova conquista. Dane-se! Ele a queria. Tomou a decisão: Ela seria sua!

Daquela decisão a este momento presente passaram-se meses de investidas silenciosas nos olhares, pequenas conversas no elevador, aquele olhar que esquentava a nuca... e algumas investidas não tão sutis assim.

Algo mudara. Era uma conquista, ou não? Havia mais alguma coisa naquela mulher que o fascinara. Fora difícil? Sim, mas ele já tinha visto isso outras vezes. Era parte do jogo. Mas e essa sensação de plenitude? Esse desejo de não parar de olhá-la? Adora sim ele parecia um adolescente. Sentia algo diferente naquele jogo, porque já não se importava de ganhar ou perder. Sentia uma vontade imensa de ficar alí, olhando o rosto dela, imaginando o que aquela cabecinha de mulher decida pensava. Divertia-se com a resistência dela em não olhar pra ele, como se em uma única olhadela, ele pudesse ler todos os seus pensamentos mais profundos naquele momento tão íntimo.

Ele lembrava de como não fora fácil reter a atenção dela. E por vezes pensava como uma ela podia resistir tanto tempo aos seus encatadores préstimos de 'macho caçador'. Riu-se só de pensar nisso. Além dos olhares, dos risos, dos 'bom-dias' tão charmosos e recheados de intenções. Partiu pra segunda parte da investida: Descobrir o andar no qual ela trabalhava, o telefone e, como homem decidido que era na verdade, ligar pra ela.

Pra ela foi uma surpresa. A ligação, sem desculpas esfarrapadas, sem muitos rodeios... apenas um convite pra almoçar, que ela decidiu aceitar. Ao finalizar a ligação um frisson tomou conta dela. Ele realmente estava interessado a ponto de descobrir o telefone dela? Ali, no escritório? Bom, na verdade não era algo tão difícil. Certamente os rapazes da portaria o haviam ajudado. Típico de homens. Mas o que aquele homem charmoso queria depois de tantos dias de tentativas frustradas? Ele queria o que todos os homens queriam, era óbvio. Mas ela tinha uma certeza: Ele era muito desejável. Tudo aquilo, até aquele momento da ligação mostrava-o tão atraente e fascinante. Esse almoço seria realmente revelador!

E aquele sorriso tomava conta dos dois! Aquele sorriso que fica entre o desejo e o sonho!

...Continua

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Encontro


ஜॐ♥ C ♥ॐஜ


Estavam em um outro nível de paixão. Não a romântica, bonitinha e que inebria os adolescentes.
Era uma paixão carnal, adulta e lasciva. Uma paixão de corpos que se desejam. Perceberam isso desde o primeiro olhar.
Ele não a olhou como os outros. Havia uma fome nas suas pupilas. A boca parecia salivar de vontade. Desejo pulsante. Coisa de predador racional que escolhe a presa.
Ela, no seu vestido curtinho, naquele fim de uma tarde quente, andava ao som de uma música imaginária que a fazia rebolar elegantemente na direção dele. Com a chegada da noite, a brisa finalmente começava a soprar mais generosa e assim fazia os cabelos voarem por sobre os olhos castanhos dela. Não, não eram olhos angelicais, mais parecia uma diabinha fugida de uma parte especial do inferno, que encanta e inebria, mas diz nos olhos a que veio. E os olhos dela transmitiam esse desejo.
Tinham se conhecido numa festa, amigos em comum os apresentaram e depois de muita conversa, risos e um drinques a mais o pedido ousado dele de um beijo. Ela recusara entre um sorriso maroto de quem mais diz “sim” do que “não”.
Deu-lhe um beijo no rosto e o número do celular.
Conversaram longamente na tarde seguinte. Entre risos e insinuações leves sentiam que algo mais havia naquilo. Uma vontade que não passava, um desejo que mútuo.
As conversas repetiram-se por dias seguidos. Trocaram e-mails. E neles havia um toque refinado de erotismo. Algo tão sexy no “beijo”, palavras mais maliciosas dele, desejos meio velados meio revelados nas palavras dela.
Então o inesperado mais esperado daquela semana. Veio então o pedido dele em um torpedo: “Vamos beber alguma coisa amanhã?”. E naquele dia, depois da pergunta, houve silêncio total dele. Ela não teve coragem de ligar, esperou... Até que resolveu mandar resposta, num torpedo curto, que não deixasse transparecer o tamanho da expectativa que havia em suas palavras: “Sim. Onde?”. O nome e o endereço do barzinho vieram em outro torpedo. E a pergunta: “Que horas?”. Ela achou aquela brincadeira muito interessante... Respondeu-o com um sorriso, que ele não viu, mas certamente sentiu nas suas palavras no novo torpedo com a informação.
O dia seguinte foi de uma deliciosa tensão, esperando um telefonema, um sinal, qualquer coisa... E nada. Um total silêncio que há dias não havia. Qual o porquê daquilo? Deixá-la nervosa? Quebrar qualquer resistência? Ela já não parava de pensar na noite... Ela já não se continha, o dia não terminava. A ansiedade já se transformava em desejo.
Foi-se.
Vendo-a aproximar-se, naquele balanço deliciosamente ‘sexy’, ele pensava em como tinha ficado completamente inebriado por aquela pele morena. Como uma mulher tinha o poder de fazê-lo sentir tanto desejo, tanta vontade e tanta ansiedade?
Aqueles dias em que se falaram diariamente por telefone ou e-mail haviam sido dias de um excitação constante, uma vontade maior que ele de tê-la em seus braços. Beijar... Morder. Assustava-se com a gama de pensamentos eróticos que conseguia ter em tão pouco tempo e só por vê-la aproximar-se. Aliás, aquele vestido tinha um ‘quê’ de sedução premeditada, umas alcinhas tão fininhas. Aquela boca vermelha... Esse encontro realmente estava-o mexendo com todo seu tesão e seu imaginário.
Um sorriso de lá, um sorriso de cá. Beijinhos no rosto, um tanto mais demorados. Era quase um ritual de reconhecimento... Sim, o perfume conhecido em ambos da outra vez. Um frisson percorreu o corpo dos dois... Sentiram-se. Olharam-se. Riram.
Ela queria perguntar o porquê do silêncio do dia. Mas preferiu não comentar. Iria expor aquilo que a movera o dia todo.
Seguiram pro bar. Sabiam o que sentiam. Estava nos olhos, na pele, na palma da mão dela pousada nas costas dela. Na respiração dela.
Acharam lugares junto ao balcão do bar e sentaram. Puseram-se a conversar enquanto esperavam uma mesa. O bar já estava bem movimentado. Outras pessoas, vai e vem, conversas, barulho. Isso trazia a necessidade de falarem pertinho, como uma dádiva que só aos mais abençoados é dada. Poderiam ficar ali a noite toda, cheirando-se enquanto trocavam palavras e risos.
Entre um ‘drink’ e outro, a conversa fica mais próxima. Ditas ao ouvido um do outro, misturadas ao perfume e as lembranças de tudo que foi dito aquela semana. Um desejo incontrolável de estarem mais próximos e darem cabo logo daquele desejo que só aumentava. Os risos eram sinais de tensão, mas de que o tesão também aumentava.
A proximidade dos corpos, o barulho ao redor, aquela vontade que fora segurada e aumentada durante a semana... A cabeça de ambos parecia girar, era algo incontrolável.
As pessoas no bar esbarravam-se, e num desses esbarrões eles ficaram mais que próximos enquanto tentavam conversar algo completamente desnecessário e entrecortado pela respiração já um tanto descompassada.
Um beijo... De leve. Os pares de olhos fixaram-se uns nos outros. Não era só sensação de romance, era mais.
— Assim seria capaz de fazer uma loucura com você! Disse ele num misto de afirmação e vontade.
— E por que não? Respondeu ela numa ousadia inesperada por ele, mas muito bem vinda!
— E você teria coragem? Ele instigou-a e riu.

O impulso foi maior, ele a trouxe mais perto, aproveitando-se da confusão da passagem das pessoas e ela pode senti-lo, perto... Tenso e teso. Era agradável sentir a reação do corpo dele ao toque macio do seu vestido. E sem pensar, ela aproveitou-se da proximidade e abriu o zíper da calça dele e sem muito rodeios sentiu o seu membro pulsando por detrás do tecido da cueca. Chegou-se mais perto, como em um abraço, e pôs a mão delicada dentro da cueca dele. Segurou firme e começou uma massagem enlouquecedora. Enquanto o masturbava, ela não saia daquele abraço. Sentia uma loucura inexplicável, uma surpresa que saia da voz dele em pequenos e quase inaudíveis suspiros.
Ele não acreditava que aquilo estivesse mesmo acontecendo, sentia um tesão imenso. O povo, o barulho aquela mão delicada deliciando-se no seu pênis rijo e pulsando. O perfume dela que lhe inebriava até a alma... A voz daquela mulher que o estava enlouquecendo naquele momento, sussurrando bem baixinho em seu ouvido e fazendo ele quase ter acessos de prazer só em ouvi-la:
— Está gostoso? Era assim que me queria durante a semana inteira?
Eram perguntas retóricas... Pois era visível que ele não conseguiria responder sem incorrer no risco de gemer um pouco mais alto e deixar que outros percebessem o que ali se passava.
Abraçou-a mais forte... Fazendo a mão dela segura-lo ainda mais firme. E de um modo inexplicavelmente forte e rápido ela o fez gozar em silêncio. Enchendo sua mão de todo prazer espesso que ela pode conter entre os dedos. Ele olhava-a com uma fome que parecia só aumentar. Não permitiu que ela saísse do abraço, discretamente pegou guardanapos que estavam próximos, entregando-os a ela e virando-a delicadamente. Ela pode sentir o seu órgão duro ainda... Pressionando sua bunda. E caminharam vagarosamente em direção aos toaletes. Entraram em um e aí ele pode extravasar aquela loucura que ela proporcionara a ele em silêncio.
Ele a pôs de frente pra si... E com toda fúria que teve que segurar durante aqueles momentos de deliciosa angustia de prazer ele a ergueu até a sua cintura... E puxou sua calcinha para o lado. Seu membro ainda rijo penetrou-a com força. E agora era a vez dela ter ânsia de gemidos que fora abafados por beijos ardestes dele.
E enquanto a língua dele lhe preenchia e calava a boca, ele socava cada vez mais forte abrindo cada vez mais enlouquecido sua vagina molhada de tesão.
Em movimentos fortes, roçando as costas dela na parede daquele banheiro que nenhum dos dois fazia idéia de como fosse, gozaram ambos. Abafando seus gemidos mútuos entre beijos e mordidas. Até sentirem o tremor das pernas e o gozo descer vagarosamente entre as coxas dela.
Nesse misto de moleza e tesão eles olharam-se e riram, perceberam que ali não havia só um encontro casual. Ela limpou-se com os olhos dele fitos nela e riu da situação.
— Vamos?
— Vamos, né? Riu-se ela.
Ele chega mais perto dela, e quase num beijo de leve diz:
— Vamos, que isso foi só o começo dessa noite.
E já recompostos, ele a pega pela mão e saem do toalete não se importando com quem passa pelo local,. Deixa uma cédula no balcão do bar... E saem de lá, em direção ao apartamento dele.
E a noite?
A noite foi muito pouco pra saciar aqueles olhos famintos e aquela paixão dilacerante...


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sentindo...


Se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios

No primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?

A tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cindo mil sentidos
está livre de mal-entendidos?

Paulo Leminsk

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Morte & Gozo



ஜॐ♥ C ♥ॐஜ

Morro
Nesse doce momento
Entre agonia
E gemidos mortais.


O minuto de ânsias
O gozo
Um minuto de morte
O Prazer
Pra renascer em você.


É doce quando se morre
Dentro do outro
pra novamente reviver.


Explodir em nova vida
De tanto sentir
E resurgir
De tanto amar

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sacro... Profano... Poético


Ficamos entre o profano e o sacro
como se estivéssemos em uma corda bamba
Ela é a nossa diversão
a cada segundo, a cada minuto
numa louca e tórrida cena
de amor e sexo


Todo Sentimento...

Todo sentimento
precisa de um passado pra existir
o amor não
ele cria como por um encanto
um passado que nos cerca
ele nos dá a consciência de havermos vivido
anos a fio
com alguém que a pouco era quase um estranho
ele supre a falta de lembranças por uma espécie de
mágica...

(E.E. Cumings)





A mais pura verdade
sobre nós!!!



quarta-feira, 30 de julho de 2008

Surpresa...


ஜॐ♥ C ♥ॐஜ





Olhos vendados.
A última coisa que ela vira tinha sido o carro dele.
Por que a venda? Ele não disse nada. Ela podia sentir o hálito dele bem perto. Percebia que ele sorria. Ele sabia que ela estava ansiosa... ansiedade só dava um gostinho a mais.
Depois de rodarem um tempo o carro parou. Se já não se conhecessem a um certo tempo ela ficaria preocupada. Mas estava bem, ansiosamente bem.
O que ele quis dizer no telefonema mais cedo com “vamos fazer algo diferente”?
Ouviu a porta do carro abrir e sentiu a mão dele lhe dando apoio pra sair do carro.
Uma brisa soprava calmamente, podia ouvir o barulho das folhas. Onde estavam?
O cheiro da grama úmida chegou até ela. Eles não foram tão longe assim.
— Onde estamos?
Ele nada disse.
Levou-a pelo braço. Parece que as árvores ficavam mais próximas. Andaram um pouco, até ela sentir-se posta contra algo. Uma árvore. Suas costas sentiam o toque áspero da madeira, principalmente porque ele chegou-se bem próximo a ela, pressionando-a contra o caule da árvore.
— Lembra quando brincávamos que estávamos transando no parque, entre as árvores?
— Lembro — ela disse entre um riso nervoso — Você não teria coragem, teria?
Antes de completar a frase sentiu a mão dele subindo por suas coxas. Subindo o vestido. Fazendo sua pele arrepiar.
— E se eu tiver coragem? Sussurrou ele ao seu ouvido.
As mãos dele já puxavam sua calcinha. Não era hora de delicadezas. Ele sentia-se feroz, ela sentia tesão. Tentou resistir, não esperava aquilo. Mas os dedos dele já invadiam seu corpo. A boca mordia sua orelha. O hálito quente a fazia estremecer.
Ele fazia agora movimentos intensos, ela gemia baixinho. Ele beijava seu pescoço.
O tesão era crescente, ela já não sabia o que fazer. Suas pernas procuravam apoio nas pernas dele. O peso do corpo de ambos a fazia sentir cada vinco da árvore. Mas já nem incomodava. Ela não sentia mais nada além de prazer. O susto, a surpresa, a impetuosidade do ato.
— Goza pra mim, goza? Assim... sabendo que podem nos pegar a qualquer momento.
Aquela frase caiu como uma bomba. O medo, o prazer. As mãos dele abrindo seu sexo e incansáveis a faziam gemer e se contorcer. A sua boca seca buscava saciar-se... sede de um beijo.
Sentiu ele deslizando devagar. Descendo. O alívio nas costas já nem era percebido. Não saia do lugar. Ele tirou a sua calcinha e ela pode sentir sua língua úmida subindo devagar por suas pernas. Um arrepio tomou conta da espinha. O toque molhado da língua a fazia estremecer. Ele brincava pelas virilhas dela, como se provasse um doce. Ela não ousava mover-se. Ansiava pelo toque molhado da língua dele.
O momento. O toque molhado e aveludado. A língua brincando. Subia e descia. A fome. Ele sugava e lambia, como se faz a uma fruta suculenta, e igualmente o mel escorria lentamente, deixando a marca no seu rosto.
Segurava-a com força, puxando-a pra si. Ela buscava um equilíbrio qualquer, mas não queria sair daquele lugar de forma alguma.
Sentiu seus dentes roçarem no seu sexo, sentiu a mordida suave mas de poder devastador. Chegou ao seu limite. Já não agüentava mais segurar-se. Já não agüentava mais sussurrar. Perdeu o controle.
Gozou entre gemidos fortes. Gozou sentindo a boca do seu homem grudada no seu sexo. Sentiu derramar-se diretamente na sua língua. Sentiu-o bebendo seu gozo.
Firmou-se na árvore. Agora um bom apoio. Já não sentia-se segura nas próprias pernas.
Ele tirou a venda. Eles estavam no meio de um bosque... reconheceu o lugar. Já haviam estado ali. Caminhando. Agora estava escuro.Sentiu o beijo molhado e salgado. Seu homem cheirava a gozo e tinha seu gosto. Nada tão perfeito.
Ele sorrindo pergunta se não era hora de terminarem aquilo um pouco mais confortáveis.
Ela ri e o beija novamente.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Aula de Leitura...

ஜॐ C ॐஜ

Vem...
Vamos àquilo que mais nos apetece
à leitura que mais nos satisfaz



Quero ler-te na ponta dos meus dedos
Decifrar-te entre os segredos
Que essa leitura traz


Vem,
Pois é nas entrelinhas das tuas curvas
Que quero perder minha análise
E de tão absorto nas tuas metáforas sutis
Quero descobrir uma nova figura...
escondida na tua silhueta perdida na minha boca



Vem,
Quero delinear com os polegares
as tuas sobrancelhas
acompanhando a curva bem desenhada
e sentir a suavidade da textura de seda
que aquece o nosso desejo



Vem,
Quero mordiscar tua orelha
sussurrando todas as palavras doces
que foram feitas só pra ti
E assim, criar com arrepios
palavras novas que só têm sentido
no nosso vocabulário lascivo



Vem...
Quero ler no teu pescoço o momento exato
em que meu hálito eriça teus pelinhos
fazendo de mim o leitor mais louco e desejoso
desse teu corpo



Vem,
Quero ler na tua boca
o doce sabor dos teus lábios
o desejo molhado escondido na tua língua
entre as pequenas loucuras em forma de palavras torpes
que são ditas através do nosso beijo



Vem,
Entrega pra mim os teus seios
para que eu leia cuidadosamente
entre as mãos e a boca
o palpitar do teu coração



Vem,
Quero ler teu corpo inteiro
braços, mãos, dedos
barriga, coxas, pernas, pés
quero uma leitura completa e silenciosa
concentrada
marcada
bem pontuada...



Vem,
Dona do meu desejo
Quero ler o teu sexo com ávido prazer
Como a criança em descoberta
para a qual um mundo de prazer se descortina
ao simples toque
da ponta da língua
no teu corpo literário



Quero ser teu único e principal leitor
e quero fazer dessa leitura
um momento de infinito gozo
no qual, leitor e leitura se fundem
criando um universo paralelo
onde o que importa é
o nosso prazer
Vem...


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